Mostrar mensagens com a etiqueta tristeza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tristeza. Mostrar todas as mensagens

07 janeiro, 2015

A vida nem sempre é fácil


A vida nem sempre nos corre como gostaríamos. Muitas vezes prega-nos partidas.

Tentamos ser optimistas mas somos constantemente confrontados com situações que põem à prova o mesmo.

Acontecem imprevistos. Contas para pagar, multas que não estávamos à espera, acidentes de automóvel que embora não sejam graves, trazem-nos mais despesas, doenças de familiares ou mesmo nossas, problemas com os nossos filhos, problemas no trabalho.

É tão fácil alguma coisa alterar o nosso humor ao longo do dia.

Por vezes temos surpresas agradáveis também, recebemos um presente que não estávamos à espera. Alguém nos telefona e nos dá uma notícia maravilhosa. Os filhos fazem qualquer coisa que nos enche de orgulho, o companheiro ou companheira surpreendem-nos.

Não é fácil manter o mesmo humor ao longo do dia.

Temos dias em que acordamos com uma alegria imensa e nem sabemos explicar porquê. Temos dias em que acordamos tristes e só nos apetece chorar.

A vida é mesmo assim, feita de altos e baixos, de momentos positivos e negativos.

Eu não sou imune. Tenho dias em que acordo e preciso de chorar e choro até me passar a tristeza e tenho dias em que acordo alegre e motivada.

Aquilo que eu decidi foi não deixar que a tristeza se instale em mim. Se tenho de chorar, choro. Depois lavo a cara e vou à minha vida.

Em todas as situações más que me acontecem, penso para mim: morreu alguém? Não. Óptimo, então não é assim tão grave.

Vamos resolver.

Ana Silvestre

30 novembro, 2014

As palavras não ditas


As palavras que não são ditas e as conversas que não são tidas, são perigosas.

Essas palavras e conversas são pensadas e acumulam-se, formam camadas e camadas de pequenos rancores, tristezas e desilusão.

E a pessoa vai calando, porque não se quer chatear ou porque não quer magoar o outro, ou porque acha que ainda não chegou a altura de as deitar cá para fora.

O problema é que na maior parte das vezes elas não são esquecidas, apenas ficam adormecidas na memória.

E um dia. Um dia em que até não se disse nada de especial, nada que levasse a que se esperasse uma reacção daquelas, sai tudo cá para fora.

E não sai de mansinho, nem educadamente, nem dito de maneira suave para não magoar.

Saem meses ou anos de mágoas e rancores e tristezas e desilusões, que se foram juntando e acumulando até se transformarem numa enorme bola de palavras ácidas e destrutivas.

É este o perigo das palavras não ditas.

Ana Silvestre

11 novembro, 2014

O som da casa da minha mãe


A casa da minha mãe já faz eco. É estranho. Dei por isso na última vez que lá estive, ao falarmos, a nossa voz ecoava pela casa.

E veio-me então à memória o primeiro dia em que entrei naquela casa, mudámo-nos para lá eu com três e a minha irmã com quatro anos. Lembro-me de corrermos pela casa inteira aos gritos, a rirmos e felizes com o som que ressoava.

Lembro-me de subir para cima da chaminé que tinha um balcão para elevar o fogão e de gritar para cima, para o buraco da chaminé.

Lembro-me da nossa alegria e espontaneidade, próprias de crianças com aquelas idades.

Provavelmente foi nesse dia que descobri que havia uma coisa chamada eco, provavelmente foram os meus pais que me explicaram que som era aquele que reproduzia as nossas vozes.

Depois desse dia e após casar-me tornei a ouvir o eco das casas por onde passei e das casas de onde saí. Foram sempre sons alegres, que anunciavam mudanças para melhor.

Nenhum som me pareceu tão triste como o som da casa da minha mãe, que sei que ficará muda quando fecharmos aquela porta pela última vez.

Pelo menos para nós. Espero que ali habitem no futuro muitas crianças e que a casa se encha de novo com sons e que deixe de se ouvir o eco.

Ana Silvestre