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30 dezembro, 2014

Casamentos tristes


Estava hoje a conversar com uma senhora que me contava que uma colega sua de trabalho, tirava férias sempre sozinha. Ou seja quando o marido tirava férias, ela trabalhava e depois ia ela de férias, com o resto da família.

Estas coisas espantam-me sempre. É que eu gosto tanto mas tanto da companhia do meu marido, que o que mais quero é ter férias com ele e passar os fins-de-semana e feriados ao seu lado.

Custa-me a entender como as pessoas aguentam uma vida ao lado de alguém, cuja companhia as incomoda.

Contava-me ainda essa senhora que a outra dizia que os homens em casa só incomodam. Eu não sei como são os outros homens, mas garanto que o meu marido não me incomoda mesmo nada.

Ajuda-me em tudo, passeamos os dois. Passa por mim dentro de casa e diz-me que me ama, faz-me cócegas, faz-me rir até me doer a barriga, faz-me mimos e surpresas. Abraça-me e beija-me. É a esta vida que eu estou habituada.

E posso dizer que desde criança que eu decidi que iria ter um casamento feliz. Tive outros namoros e fui sempre eu a terminar porque sabia que não era aquilo que eu queria e eu sempre soube muito bem o que queria.

Os meus pais separaram-se quando eu tinha quinze anos e que eu me lembre nunca se deram especialmente bem e eu sempre me senti bem em casa de colegas em que havia harmonia dentro de casa, e tive o exemplo dos meus avós que namoraram até morrer.

A sério que não entendo como as pessoas se sujeitam a casamentos assim. Nunca entendi e acho que já não vou entender.

Ana Silvestre

 

 

17 novembro, 2014

O segredo para um casamento feliz


Faço hoje vinte e quatro anos de casada! Este número nos dias que correm é quase um recorde e não minto se disser que às vezes em vez de vinte e quatro anos me parecem vinte e quatro meses.

Tenho tido um casamento muito feliz. Casei com o homem que amava, com aquele que senti que seria eternamente feliz e não me enganei.

É claro que olhando para a minha vida e vendo os meus três filhos tão crescidos e analisando cada alteração, cada mudança de casa, cada mudança na nossa vida, sei que já se passaram de facto estes anos todos. Mas passaram muito rápido.

Muitos me dizem que tenho muita sorte com o marido que tenho e com o casamento, e eu sei que sim, mas acima de tudo, sei que faço por merecê-lo.

Um casamento precisa de ser alimentado, precisa de muita compreensão, precisa de uma grande amizade e de um grande amor.

Quando os filhos são pequenos não é fácil darmos a atenção um ao outro que seria desejável e eu sei disso porque tenho três filhos e já houve alturas em que sentíamos essa falta de tempo e disponibilidade para nos sentarmos e conversarmos com calma e para namorarmos.

Mas sempre conversámos muito acerca de tudo e sempre soubemos que era uma fase e que eles iriam crescer e nós voltaríamos a ficar com tempo para nós e assim foi.

Muitas vezes um longo abraço, substituiu palavras.

Todos os dias dizemos que nos amamos, todos os dias nos beijamos, todos os dias nos ajudamos mutuamente.

Quando eu estou em baixo, o meu marido puxa por mim, mima-me, abraça-me, leva-me a passear e diz que me ama.

Quando é ele a estar em baixo, faço tudo para o animar, abraço-o, elogio-o, preparo-lhe surpresas com coisas que sei que ele gosta.

Nunca perdemos a capacidade de nos vermos como um casal. Nunca deixámos que os filhos ocupassem esse lugar. Nós, enquanto casal, somos nós e os nossos filhos são os nossos filhos.

Sempre mantive fresco na minha mente que a vida dos meus filhos é deles e que mais cedo ou mais abandonarão o ninho e o meu companheiro será o pai deles, o meu amor e a pessoa que escolhi e me escolheu para vivermos em conjunto.

Penso ser esse o segredo.

Se fosse hoje, casava novamente com ele.

Ana Silvestre