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27 outubro, 2015

Detesto a perfeição


Detesto a perfeição. A rima perfeita, a escrita perfeita, os acordes perfeitos.

Detesto as simetrias. Os olhos perfeitos, o cabelo perfeito, o corpo perfeito.

Abomino o desejo de perfeição em tudo, talvez por eu mesma já o ter desejado e isso me ter feito sofrer.

Gosto de quem erra e pede desculpa. Gosto de quem cai e se levanta.

Gosto de quem comete erros e os admite.

Gosto de gente imperfeita. Humanos. Gente feita por Deus e que se aceita como é.

Detesto a perfeição. Gosto de gente.

Ana Silvestre

20 dezembro, 2014

Demonstrar os sentimentos


Tenho-me apercebido que muita gente se queixa e sente mágoa por o companheiro ou companheira ou mesmo os filhos, pais ou amigos, não demonstrarem os sentimentos.

Todos nós gostamos e precisamos de sentir que somos amados.

Mas nem todos conseguem demonstrar e muito menos, verbalizar.

Eu penso que sempre fui carinhosa e emotiva, porque lembro-me de em pequena muita gente referir isso e dizer que a minha irmã era arisca, não dava beijos nem abraços a ninguém e eu era do género de demonstrar.

Em relação a mim a minha irmã sempre foi extremamente carinhosa, mas talvez não o fosse com os mais velhos, nós temos apenas um ano e meio de diferença por isso também não tinha idade para reparar nisso, sendo eu a mais nova.

A minha mãe, embora eu não duvide do amor que nos tinha aos três, também não era muito de demonstrar. Em pequena agarrava-se a mim e beijava-me mas depois à medida que fui crescendo, raramente o fazia. Demonstrava de outras formas, por exemplo chamando-me de querida ou de Béquita, que era o nome que todos me chamavam em família e quando eu ligava para o telemóvel dela, tinha como waiting ring para todos os filhos uma música do André Sardet a dizer: “gosto de ti desde aqui até à lua”…

Com a doença muita coisa começou a mudar, passámos a dizer diariamente que nos amávamos, olhos nos olhos. Passámos a beijar-nos e abraçar-nos espontaneamente e conseguimos conversar de muitas mágoas que tinham ficado esquecidas no passado.

Com os meus filhos mais velhos às vezes também tenho uma certa dificuldade em verbalizar o quanto os amo e muitas vezes tenho de pensar que tenho de lhes dizer porque eu também queria que a minha mãe me dissesse quando eu tinha a idade deles.

Com os meu marido, não tenho dificuldade nenhuma, porque ele é extremamente carinhoso comigo e diz várias vezes ao dia que me ama e prepara-me surpresas e torna o meu dia de anos sempre numa enorme festa e é fácil então eu dizer-lhe que o amo.

Com os irmãos e amigos também facilmente demonstro o meu amor por eles.

E então chego à conclusão que não interessa de onde viemos ou como nos trataram a nós, é uma questão de treino e de querer e aquilo que desejo e que tenho em mente hoje em dia é que ninguém precise de ter uma doença como a da minha mãe e milhares de outras pessoas para aprenderem a verbalizar e demonstrar aquilo que sentem.

Nós tivemos a sorte de conseguir fazê-lo, há muita gente que não tem, porque a vida pode mudar num segundo.

É por isso que eu digo que digam a todos os que amam o quanto o amam, abracem, beijem e demonstrem, amanhã pode não dar tempo.

Ana Silvestre

17 dezembro, 2014

Queres ser amargo ou doce?


Muitas pessoas perante o sofrimento e agruras da vida fecham-se como ouriços cheios de espinhos à sua volta e não deixando ninguém aproximar-se.

Eu não sou assim, simplesmente porque decidi não o ser.

Não quero ser uma pessoa amarga e azeda com a vida, não quero passar os dias aos “ais” e a maldizer a minha sorte, não quero revoltar-me quando as coisas não me correm bem.

Quero ser sempre positiva, quero mostrar aos meus filhos como enfrentamos as adversidades e quero que eles saibam que por muito que as coisas corram mal, há-de haver sempre dias melhores.

Por isso quando os meus amigos se oferecem para me ajudar, eu aceito a sua ajuda.

Quando eu chegava do hospital, depois de ter ido visitar a minha mãe e eles tinham comida pronta à minha espera, eu aceitava e comia com satisfação, agradecendo-lhes do fundo do coração porque sabia que era a sua forma de demonstrarem que estavam ali para mim.

A comida que eles preparavam para mim era uma forma de amor, faria algum sentido recusar, simplesmente porque estava triste e cansada? Claro que não.

Continuo sempre que me é possível a fazer jantares e a convidar amigos para me acompanharem, muitas vezes nem me apetece porque estou triste, mas sei que vai fazer-me bem, sei que quando eles se forem embora eu vou estou melhor.

Todos nós passamos por provações difíceis na vida, cada um encara-as como pode ou quer.

O importante é analisarmos as nossas reacções e ver se fazem sentido.

Queremos ser amargos ou doces?

Ana Silvestre

12 dezembro, 2014

Sentir ciúmes


Todos nós, penso eu, já sentimos ciúmes de alguém em alguma altura da nossa vida.

E na maior parte das vezes, se analisarmos bem, esses ciúmes não faziam sentido nenhum.

Porque é que sentimos ciúmes? Penso que a razão principal será sentirmos que alguém quer ocupar o nosso lugar.

Só que o nosso lugar é nosso e não é ocupável por ninguém. Podemos até sair de cena, mas o nosso lugar ficará lá, quando muito o outro ocupará um lugar semelhante ao nosso, nunca o nosso.

E porque é que quando sentimos ciúmes não o expressamos e não queremos que o outro saiba? O nosso ego não quer que os outros saibam que nós somos capazes de sentir algo tão desprezível como ciúmes.

E então, optamos por ficar calados, a remoer, a agregar sentimentos que só nos fazem mal, quando o mais sensato e saudável seria pôr tudo em “pratos limpos”, dizer aquilo que sentimos e ouvir a explicação que o outro terá certamente para nos dar.

E na maior parte das vezes chegaremos à conclusão que aqueles ciúmes não faziam sentido nenhum.

Ana Silvestre

27 novembro, 2014

Eu não sou para todos


Eu não sou para todos, foi a essa conclusão que cheguei já há algum tempo.

Num mundo em que as pessoas dissimulam os seus sentimentos, emoções e pensamentos, eu de facto não me insiro.

Nunca me senti incluída nesse tipo de mundo. Sempre chorei quando me apeteceu, sempre disse aquilo que sentia, sempre defendi os meus pontos de vista e sempre senti que muitas pessoas ficavam espantadas com a minha maneira de ser, isto para não dizer pior, porque algumas penso que até ficam chocadas.

As pessoas estão habituadas a dissimular o que sentem, a não abraçarem quando têm vontade, a não dizerem abertamente que gostam de alguém simplesmente porque gostam. As pessoas escondem o choro, porque chorar em público na opinião delas revela fraqueza.

As pessoas estão sempre de pé atrás com quem é franco e directo, sempre subentendendo segundas intenções. Sempre analisando e pensando se o outro será mesmo assim.

Eu sempre segui a minha intuição. Não me tenho dado mal.

Eu de facto não sou para todos, como nem todos são para mim.

Sou unicamente para os que me vêem como sou e me aceitam.

Ana Silvestre

19 novembro, 2014

O tempo não volta atrás


“Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante”, esta frase foi extraída do livro “O principezinho”, como penso a maior parte de vocês, saberá.

E é uma das frases deste livro, entre tantas outras, que eu nunca esqueci e das que mais gosto.

O nosso tempo é o um dos bens mais preciosos que temos. E quando o oferecemos a alguém, fazemos crescer qualquer coisa que se tornará importante.

Quase todas as pessoas se queixam de falta de tempo. Saem de manhã para trabalhar, regressam à noite e mal têm tempo para dedicar aos companheiros e filhos, quanto mais aos pais, avós, irmãos, restante família e amigos.

Só que o tempo perdido não volta. Se não aproveitamos para estar com quem gostamos, se não dedicamos tempo de qualidade àqueles que amamos, esse tempo não volta.

E um dia, os nossos pais e avós morrem. E um dia os nossos filhos crescem. E um dia as nossas amizades acabam.

Muitas pessoas vivem obcecadas com a ideia de fazerem voluntariado, de oferecerem o seu tempo aos mais necessitados, e eu acho muito bem, mas lembro-me das palavras da madre Teresa de Calcutá quando um dia alguém lhe perguntou como podia fazer para ajudar e ela respondeu que devia começar pela sua própria casa.

Às vezes esquecemo-nos disto, esquecemo-nos do nosso marido ou mulher, dos nossos filhos, dos nossos pais, dos nossos amigos. E na ânsia de nos sentirmos úteis à sociedade, acabamos por perder um tempo precioso com os que nos estão mais próximos.

O tempo não volta atrás. Aproveita.

Ana Silvestre

17 novembro, 2014

O segredo para um casamento feliz


Faço hoje vinte e quatro anos de casada! Este número nos dias que correm é quase um recorde e não minto se disser que às vezes em vez de vinte e quatro anos me parecem vinte e quatro meses.

Tenho tido um casamento muito feliz. Casei com o homem que amava, com aquele que senti que seria eternamente feliz e não me enganei.

É claro que olhando para a minha vida e vendo os meus três filhos tão crescidos e analisando cada alteração, cada mudança de casa, cada mudança na nossa vida, sei que já se passaram de facto estes anos todos. Mas passaram muito rápido.

Muitos me dizem que tenho muita sorte com o marido que tenho e com o casamento, e eu sei que sim, mas acima de tudo, sei que faço por merecê-lo.

Um casamento precisa de ser alimentado, precisa de muita compreensão, precisa de uma grande amizade e de um grande amor.

Quando os filhos são pequenos não é fácil darmos a atenção um ao outro que seria desejável e eu sei disso porque tenho três filhos e já houve alturas em que sentíamos essa falta de tempo e disponibilidade para nos sentarmos e conversarmos com calma e para namorarmos.

Mas sempre conversámos muito acerca de tudo e sempre soubemos que era uma fase e que eles iriam crescer e nós voltaríamos a ficar com tempo para nós e assim foi.

Muitas vezes um longo abraço, substituiu palavras.

Todos os dias dizemos que nos amamos, todos os dias nos beijamos, todos os dias nos ajudamos mutuamente.

Quando eu estou em baixo, o meu marido puxa por mim, mima-me, abraça-me, leva-me a passear e diz que me ama.

Quando é ele a estar em baixo, faço tudo para o animar, abraço-o, elogio-o, preparo-lhe surpresas com coisas que sei que ele gosta.

Nunca perdemos a capacidade de nos vermos como um casal. Nunca deixámos que os filhos ocupassem esse lugar. Nós, enquanto casal, somos nós e os nossos filhos são os nossos filhos.

Sempre mantive fresco na minha mente que a vida dos meus filhos é deles e que mais cedo ou mais abandonarão o ninho e o meu companheiro será o pai deles, o meu amor e a pessoa que escolhi e me escolheu para vivermos em conjunto.

Penso ser esse o segredo.

Se fosse hoje, casava novamente com ele.

Ana Silvestre