27 outubro, 2015

Ana Silvestre


a essência





Detesto a perfeição


Detesto a perfeição. A rima perfeita, a escrita perfeita, os acordes perfeitos.

Detesto as simetrias. Os olhos perfeitos, o cabelo perfeito, o corpo perfeito.

Abomino o desejo de perfeição em tudo, talvez por eu mesma já o ter desejado e isso me ter feito sofrer.

Gosto de quem erra e pede desculpa. Gosto de quem cai e se levanta.

Gosto de quem comete erros e os admite.

Gosto de gente imperfeita. Humanos. Gente feita por Deus e que se aceita como é.

Detesto a perfeição. Gosto de gente.

Ana Silvestre

Ser uma boa pessoa


Ser uma boa pessoa não significa dizeres sim a tudo o que te pedem.

Ser uma boa pessoa não significa que deixes que te humilhem, espezinhem ou maltratem. Isso é mais ser parvo.

Uma boa pessoa, é uma pessoa que sente empatia para com o próximo. Que se empenha em ajudar os que lhe são próximos, ou os que não são, simplesmente porque tem bom coração e não consegue ficar indiferente perante o sofrimento alheio.

As boas pessoas às vezes também têm mau feitio e ações menos boas.

As boas pessoas também dizem que não, quando acham que o devem dizer por razões pessoais ou por acharem que os outros se estão a aproveitar da sua boa vontade.

Há gente para tudo, e há de facto quem tente aproveitar-se das boas pessoas. As boas pessoas não têm é de ser parvas e se percebem isso, cabe a elas, imporem-se e porem um travão às ditas pessoas.

Eu conheço muita gente com mau feitio e que são excelentes pessoas e conheço pessoas extremamente amáveis e que não o são assim tanto.

Ser bom, não é sinónimo de ser parvo.

Ana Silvestre

Acaso ou destino?


Muitas pessoas entram na nossa vida aparentemente por acaso. Não são da nossa família e de um momento para o outro, tocam-nos a alma. Sentimos imediatamente empatia e nem sabemos explicar porquê, mas sentimo-las parecidas connosco e que de alguma forma é como se nos conhecessem há muito tempo.

Como já sabem, eu acredito pouco em acasos, acredito que estamos aqui para aprendermos e para ensinarmos, para curarmos e para sermos curados.

Hoje senti-me comovida e honrada com um convite vindo de uma dessas pessoas, uma dessas que aparecem do nada e imediatamente nos conquistam. Fico muito feliz quando alguém me diz que a inspirei ou que aprendeu ou melhorou comigo.

A mim também muitos me inspiram, ensinam e curam. Sempre assim foi e sempre assim será para quem está atento e acredita que é este o sentido da vida. Obrigada a todos.

Ana Silvestre

15 abril, 2015

A mim, ninguém me muda


A mim, ninguém me muda. Já mudei, porque precisei, porque quis, nunca por imposição.

E já tentaram…

Nasci com as minhas verdades e certezas, outras aprendi-as ao longo da vida, através do sofrimento. Sim, principalmente, aprendemos através do sofrimento. É ele que nos faz crescer e aprender, muito mais do que a felicidade ou o prazer.

Mas nasci com a certeza absoluta de que iria ser feliz e não o era. Já fui infeliz, até bastante na verdade. Já chorei mais do que algumas pessoas chorarão alguma vez na vida.

Nunca fui de me queixar. Pari três filhos, sem epidural e sem soltar um grito.

Não tenho paciência para os queixumes de quem pensa que sofre mais do que os outros.

Nasci determinada. Quando quero muito alguma coisa, simplesmente não desisto.

Quando desisto, é para sempre.

Faço as minhas próprias escolhas e aceito as consequências.

Quando amo, amo muito e demonstro.

Quando não gosto, nota-se.

Mas como dizia a minha mãe «sou enxertada em corno de cabra», não é qualquer um que me verga.

Não acredito nas verdades dos outros, só sigo a minha intuição e a minha verdade.

A mim ninguém me obriga a gostar ou não gostar de nada nem de ninguém, simplesmente por ser essa a sua opinião.

Quem me acompanha é porque quer, porque gosta de mim. E sei que tenho alguns, não muitos.

Para alguns sou a estrela que os guia, para outros o ombro, o beijo, o conselho e às vezes o estalo na cara, para acordar.

Sou apenas e só uma mulher e gosto de mim como sou.

Tenho a consciência tranquila e não há nada mais apaziguador do que isso.

Ana Silvestre

 

Ninguém é livre


Ninguém é livre. Esta sensação de que somos livres é a mais perfeita utopia, alguma vez inventada.

Foi inventada, apenas para podermos suportar a nossa existência e termos uma réstia de esperança de que de alguma forma somos livres.

Não o somos, nunca.

Os mais livres são os que menos têm.

A partir do momento em que tens algo, perdes a tua liberdade.

Todos nós temos laços invisíveis que nos prendem. Basta teres mãe, pai, filhos, marido, mulher, irmãos ou amigos, para nunca mais na puta da vida seres livre.

Tens obrigações.

Tens casa, tens a renda para pagar, se já a pagaste, tens luz, água e gás.

Se tens filhos, ficas eternamente responsável por eles. Porque não consegues desfazer o nó invisível que te prende e te condiciona.

Podes ter muito dinheiro, mas do que te adianta? Se quiseres ir amanhã para o fim do mundo, não podes. Tens obrigações.

A única coisa livre que temos é o nosso pensamento e os nossos sonhos.

Esses serão sempre teus, quer estejas fechado numa prisão ou num campo aberto.

O mais, não passa de uma utopia.

Ana Silvestre

As coisas importantes


Houve um tempo em que eu achei que a coisa mais importante do mundo era o amor.

Depois, descobri a amizade.

Depois, passei a achar que era afinal, a saúde.

Mais tarde, pensei que fossem os sonhos.

E mais tarde ainda, descobri que era a esperança.

Hoje já não sei nada. Não sei qual deles é o mais importante.

 Só sei que todos eles estão interligados e que uns não sobrevivem sem os outros.

Ana Silvestre

13 fevereiro, 2015

O livro "A chave de Salomão"



Acabei finalmente de ler “A chave de Salomão” do José Rodrigues dos Santos.
E vou confessar que só o li até ao fim e são seiscentas e seis páginas, mais notas sobre onde foi buscar a informação, porque tinha-o pedido emprestado a uma amiga e ela pediu-me para ler e depois dizer se valia a pena ela ler.
Eu nunca tinha lido nada dele e visto que vende tanto, gostava de formar a minha própria opinião. Devo acrescentar que não li mais nada dele, por isso posso apenas falar por este livro.
A história em si, a parte ficcionada é engraçada, no entanto achei-a um pouco infantil, principalmente tendo em atenção que o público-alvo deverá ser adultos.
O que eu não estava nada à espera foi da “esfrega” que levei com a física quântica.
Fiquei doida com tanto protão, electrão, bosão, e outras coisas acabadas em ão.
Parecia que estava numa aula e queriam meter-me à força a matéria na cabeça.
Tive de voltar atrás, não sei quantas vezes, para ver se aquilo “entrava”.
Pronto, entrou um bocadinho. Fiquei um bocadinho mais culta.
Mas o que eu queria mesmo era tirar prazer da leitura e não tirei.
Apeteceu-me desistir várias vezes e fiquei entediada com uma explicação tão profunda.
Está dito.
Ana Silvestre

25 janeiro, 2015

Descobrir quem somos na realidade


Tenho a convicção que só atingimos o nosso real potencial e só nos sentiremos realizados quando soubermos realmente quem somos.

É um trabalho árduo descobrir quem somos na realidade. Não é sabermos quem são os nossos pais e irmãos, ou quem foram os nossos avós, ou o nosso nome ou data de nascimento ou o nosso aspecto exterior, é saber quem somos na nossa mais profunda essência.

Para que estamos aqui. Qual a nossa missão. O porquê de tantas coisas terem acontecido na nossa vida e qual o caminho que teremos de percorrer.

Isso só acontece se nos esforçarmos realmente em nos descobrirmos.

Há quem chegue ao final da sua vida sem nunca ter conseguido saber o que veio cá fazer ou quem foi na realidade.

Será que essas pessoas viverem de facto? Ou apenas sobreviveram? Viveram uma vida mediana, conformadas com a sua sorte e com o seu destino. E nunca mexeram um único dedo para mudar aquilo com que não se sentiam bem.

Aceitaram, porque talvez os pais lhes tenham dito que era suposto ser assim, que a vida era mesmo assim, aceitar e calar.

Eu nunca me conformei com isto. Desde criança que procuro o meu caminho, que abro novos trilhos, que luto por aquilo em que acredito e que tento evoluir a cada dia.

Quando chegar ao fim da minha vida, quero olhar para trás e sentir que valeu a pena. Que nunca me conformei unicamente porque me diziam que era suposto ser assim.

Ana Silvestre

24 janeiro, 2015

Seguimos aquilo com que nos identificamos


Todos nós tendemos a seguir ou promover aquilo com que nos identificamos.

Não há ciências exactas para nada. O que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira.

Para uns nutricionistas, por exemplo, o leite é um alimento valioso e aliado na nossa alimentação, outros discordam completamente e dizem que só nos faz mal e que nós somos os únicos mamíferos que continuamos a bebê-lo depois de adultos.

Uns psicólogos dizem que as crianças não devem levar trabalhos para casa, é mais do que suficiente aquilo que já trabalham na escola. Outros no entanto dizem que é benéfico, que lhes ensina a responsabilidade e que é um treino para o futuro.

Como nestes exemplos que eu acabei de dar existem inúmeros outros, estou agora a lembrar-me das crianças que dormem com os pais, uns dizem que destrói completamente a criança no sentido em que lhes retira a autonomia, outros dizem que promove a segurança.

Eu cá por mim, sigo o meu instinto.

Leio bastante sobre aquilo que me preocupa e procuro informar-me de maneira responsável. Depois, como todos os outros, faço aquilo que me faz mais sentido.

Algumas vezes acerto, noutras, erro. Mas pelo menos, tento manter a minha consciência tranquila.

Ana Silvestre

 

23 janeiro, 2015

Temos muito mais semelhanças do que diferenças


Já reparam como nós somos todos tão parecidos? As pessoas, os seres humanos?

Identificamo-nos uns com os outros.

Podemos ver filmes ou ler livros de autores da China, Brasil, África, América ou Portugal e identificamo-nos com os personagens ou com as suas histórias.

Porque no fundo, na nossa essência, somos todos iguais.

Todos sentimos as mesmas emoções.

Depois há quem desenvolva mais os sentimentos bons ou os maus.

Todos nós, ou pelo menos quase todos, sentimos compaixão por quem sofre com os fenómenos naturais como um tsunami, ou um terramoto. Ficamos horrorizados e com pena daquelas pessoas, conseguimos pôr-nos no lugar delas e sentir o que elas sentem ao perderem os filhos, companheiros, pais ou perderem os seus bens.

Há quem alimente o ódio o que os leva a ter atitudes extremas, como por exemplo os terroristas.

Há quem alimente o bem e seja altruísta e movimente causas.

Mas os sentimentos e emoções, estão lá.

Eu verifico isso mesmo, nos textos que escrevo e na forma como tantos se identificam.

Temos muito mais a unir-nos do que a separar-nos.

E às vezes, quando julgamos os outros, era bom que nos lembrássemos disto.

Somos todos humanos.

E temos muito mais semelhanças do que diferenças.

Ana Silvestre

Os endeusamentos


Os endeusamentos sempre me deixaram desconfortável, é um bocado como os elogios, só que esses, gosto de os receber e de os dar, embora me sinta de certa forma envergonhada quando os recebo.

O que me incomoda nos endeusamentos é a criação que as pessoas fazem na sua própria cabeça acerca de outra pessoa.

Põem a outra num pedestal e quando não corresponde às expectativas, julgam-na e passa de bestial a besta.

Isto acontece com os jogadores de futebol, cantores, actores ou qualquer outra pessoa que tenha uma exposição mais pública e por isso mesmo, mais dada a que os outros fantasiem sobre a vida dela.

Todos somos humanos, todos temos falhas e defeitos, todos erramos e não há vidas perfeitas.

E ninguém deveria julgar ninguém por uma criação que só a sua própria imaginação desenhou.

A mim reservo o direito de ser humana e comportar-me como tal, sou virtudes e defeitos.

Tenho dias bons e dias maus.

Ana Silvestre

22 janeiro, 2015

Os homens não choram


“Os homens não choram”, foi com esta frase que foram educados quase todos os homens em Portugal, e digo em Portugal, porque não sei se nos outros países se dizia o mesmo ou se era um mal só nosso.

E os pobres meninos engoliam as lágrimas e o sofrimento para não parecerem ridículos ou fracos aos olhos dos outros, como se não fossemos todos feitos da mesma matéria, como se os homens não tivessem sentimentos e não sofressem tanto como as mulheres.

Felizmente que isto parece que já passou de moda e vejo muitos jovens hoje em dia a chorarem e até vejo filmes promoverem as lágrimas dos homens.

Os meus filhos sempre puderam chorar quando que lhes apetecia. Sempre incentivei a que demonstrassem os seus sentimentos, fossem de tristeza ou de alegria, o importante era que os demonstrassem.

E como já disse várias vezes, para mim, chorar é tão natural como rir.

Nem imagino o que estas palavras terão feito aos meninos mais sensíveis, que precisavam de chorar e utilizar o seu choro como catarse.

Chorem, homens e mulheres, chorem sempre e quando vos apetecer.

Que eu faço o mesmo, quando preciso.

Ana Silvestre

21 janeiro, 2015

Argumentar sem perder a cabeça


Podemos dizer quase tudo, aquilo que queremos ou defendemos, dependendo apenas da forma como o dizemos.

Na minha opinião, assim que começas a insultar alguém com palavrões ou rebaixando-a, para explicares o teu ponto de vista, perdes a razão.

Podes até tê-la, mas se usas o insulto e a humilhação, perdes.

A violência verbal ou física na exposição de alguma coisa indica, apenas, que não tens argumentos suficientes ou não amadureceste o suficiente para manter a calma. Precisas de treinar a argumentação.

Ninguém tem direito de humilhar ou rebaixar o outro, de forma a mostrar o seu ponto de vista.

Ouve, aprende a escutar aquilo que o outro diz. Não fiques na defensiva a pensar como o vais atingir. Quando ficas a pensar no que vais responder, não ouves os argumentos dos outros.

Ouve, e depois, com calma, se não concordas, explica porquê.

Não queiras ter sempre razão. Muitas vezes não a temos, e é ouvindo as ideias dos outros que chegamos a essa conclusão.

Dá a mão à palmatória, quando entenderes que não tens razão. Pede desculpa.

Pede desculpa por todas as vezes em que não a pediste e segue em frente. Evoluíste e vais fazer diferente daqui para a frente. Parabéns!

Ana Silvestre